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01/12/08: Já é madrugada, acabei de editar uns textos e não consigo parar de pensar/falar em: MADONNA em menos de 20 fuckin' days + NY City apenas cinco dias depois desse show. HAHAH OMFG, as coisas andam MUITO boas e MUITO estranhas ao mesmo tempo... Mas, é claro, há mais motivos para rir do que qualquer outra coisa. Me vi pensando em mim. Não no que ando fazendo ou precisando, mas no que sou mesmo. É tão incômodo se conhecer bem, tão incômodo... É chato conhecer a essência. É mesmo, e não adianta lutar contra. É muito mais divertido vestir uma máscara todo santo dia. É muito mais divertido ser várias pessoas diferentes a partir do momento em que pisamos fora do nosso próprio quarto. É interessante posar para os outros 90% do tempo. É mesmo – e não adianta lutar contra.
É tão divertido que muita gente já nem disfarça o teatrinho de todo dia. Claro, é algo que todos nós fazemos, mas quem é que vai dar a cara a tapa? Poucos. Dia desses comecei a ver umas fotografias de uma pessoa que conheci quando era bem mais nova, uma pessoa que hoje em dia é 100% diferente daquela que briguei há um tempo por alguma bobagem. Eu tinha uns 13 anos, por isso dou um desconto. De qualquer forma, eu comecei a pensar na mudança toda. Ela está mais bonita, morando em um ótimo lugar e curtindo um momento que, ainda com as merdas inevitáveis, deve ser maravilhoso. Ela, para mim, é uma caricatura de algo que ela passou a desejar loucamente nos últimos tempos (algo que, por sinal, eu não sei definir). Eu olho o que ela se permite mostrar e não consigo ver NADA além de uma puta máscara, uma máscara tão absurda que ocupa TODO o espaço das fotos. Parece que a câmera capta todo o resto como acessório – o prato principal é uma MONTAGEM. Uma colagem de coisas que ela deseja, simplesmente.
 Ao olhar tudo isso, só penso que é preciso muita coragem para o espetáculo todo. Não a estou condenando (estou criticando MESMO), até porque creio que todas as pessoas do planeta fazem a mesma merda: perseguem uma aparência 90% do tempo, todos os dias e para todas as pessoas. Só penso que, sei lá, daqui há um tempo ela provavelmente vai olhar todo o “ouro” dessa época e pensar como tudo isso é, no final, descartável. O máximo que ela deve conseguir com tudo são algumas noites bêbadas e... É isso. Ela, por sinal, FAZ BEM cara. Espero, inclusive, que ela viva tudo isso até a última gota. Me tornei uma pessoa tão descrente que, no final, acho que todos devem fazer coisas estúpidas mesmo, devem arrebentar a cara no chão várias vezes, toda hora, até saber o que realmente presta. Isso é o que mais enxergo em mim: a capacidade de tolerar tudo o que me mandam, porque não tenho muito tempo a perder. Que venham coisas boas e coisas péssimas, porque eu quero saber exatamente como T-U-D-O funciona. TUDO, eu simplesmente não quero só um mar de rosas: eu quero chegar nele, mas passando por todas as merdas possíveis. Em uma das minhas últimas aulas de História da Arte, matéria lecionada por uma das professoras mais incríveis que já tive, rolou uma espécie de “análise” por meio de desenhos que nós fizemos. A Déia pediu que desenhássemos determinadas coisas (casa, água, pato, céu, nós mesmos, enfim...) e, depois, analisou alguns resultados. Deus deve ter sentido do fundo do meu coração que eu queria ser analisada, porque meu desenho foi um dos cinco selecionados (a sala possui, sei lá, uns 40 alunos). Ufa. Ela começou a falar diversas coisas, e todas casaram: já sofri demais – apesar de nem aparentar tanto –, gosto de fazer os outros rirem e estou atualmente fechada para eles (os outros). Vivo as merdas, vivo muitas merdas, mas sempre tiro delas uma sábia lição – essa, é claro, foi a parte que eu mais curti. HAHAH Isso é muito verdade, puta que pariu... Isso é o que eu mais gosto em mim, sem dúvida alguma. Sou bombardeada e adoro catar cada estilhaço espalhado pelo chão. Como vocês podem ver, eu acabo gostando de viver tudo. Simplesmente aprendi a AMAR tudo o que chega. Isso, óbvio, não veio de graça... Muita porrada – agora eu realmente acho – só amortece.
 Atualmente mesmo, eu vejo que posso estar me jogando novamente em um buraco que já havia conseguido superar há alguns anos. Isso é algo que, claro, só o tempo poderá me dizer, mas enfim... E se eu estiver? Enquanto não consigo descobrir se isso é algo maléfico, vou me divertindo. Afinal, buraco nenhum é fundo o bastante para me fazer jogar tudo para o alto – pelo menos não até agora. Aliás, vai chegar o dia em que alguém vai conseguir achar em mim a fraqueza sem fim que eu ainda não descobri... Vai chegar, porque eu simplesmente não acredito que eu possa ser tão forte assim. A força, para mim, é fruto de erro e tragédia, sempre. É fruto, principalmente, de união (puta pieguice, mas aquele ditado faz todo o sentido!) Tudo, absolutamente TUDO o que eu escrevi aqui faz 100% sentido para mim, e é isso o que me importa. Eu consigo sentir na pele as coisas boas e ruins, de verdade. Para mim, aliás, só assim faz algum sentido. Eu só dou bola para o que me podem comprovar – do contrário, a coisa entra por um ouvido e sai pelo outro. Eu quero que me comprovem sempre, porque cada vez mais só acredito naquilo que sinto + vejo. Cada vez mais, e não sempre. |